Mistura de biodiesel no diesel é mantida em 14% para conter inflação

Governo desistiu de aumentar o percentual para 15% em março

19/02/2025 00h37 - Atualizado há 1 mês

O percentual de biodiesel misturado ao óleo diesel será mantido em 14% como estratégia para controlar a alta no preço dos alimentos. Esta decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nesta terça-feira, dia 18. Inicialmente, estava previsto que o percentual subiria para 15% já em 1º de março, mas a medida foi revista para mitigar os impactos econômicos.

Embora a maior parte do biodiesel produzido no Brasil seja derivada da soja, um produto que é majoritariamente exportado e tem um consumo interno relativamente limitado, a manutenção do percentual visa proteger os consumidores. A razão por trás dessa decisão se deve ao fato de que o aumento do percentual para 15% encareceria o custo do combustível, que é amplamente utilizado no transporte de cargas. Isso, por sua vez, teria um impacto direto no preço dos alimentos, uma vez que o transporte é um dos principais componentes do custo final dos produtos. Atualmente, o óleo diesel constitui cerca de 35% do valor total do frete.

“O aspecto econômico e o preço dos alimentos têm sido a principal prioridade do nosso governo neste momento. Temos a obrigação de explorar todas as possibilidades e mecanismos que possam contribuir para a redução do preço dos produtos nas prateleiras dos supermercados. Por isso, decidimos manter a mistura no nível B14 [teor de 14% de biodiesel] até que observemos um resultado positivo nos preços para a população. Essa é uma alternativa importante, dado que boa parte do biodiesel produzido ainda vem da soja”, declarou, segundo comunicado oficial, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

É importante notar que, apesar das qualidades do biodiesel, como ser menos poluente e uma fonte de energia renovável, ele ainda é mais caro do que o diesel de origem fóssil. Assim, qualquer aumento no teor de biodiesel dentro da mistura tende a elevar o custo do combustível na bomba, impactando o consumidor final.

Se o percentual tivesse aumentado conforme previsto, seria o segundo reajuste no preço do diesel em apenas um mês. No final de janeiro, a Petrobras já havia ajustado o preço do combustível em R$ 0,22 para as distribuidoras, em um esforço para reduzir a defasagem frente ao mercado internacional.

Nas últimas semanas, o preço do biodiesel tem mostrado uma tendência de alta, contribuindo para possíveis reavaliações de políticas de preços.

A Lei Combustível do Futuro, que foi sancionada em outubro de 2024, estipula que a proporção de biodiesel deve variar entre 13% e 25%. Contudo, a adição de biodiesel ao diesel tem sido uma prática obrigatória desde 2008, como parte de uma política nacional que busca reduzir o nível de poluição proveniente do transporte de cargas no país.


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